quarta-feira, 6 de outubro de 2010

O cantar dos santos nomes

O canto da vibração transcendental Hare Krishna: Hare Krishna, Krishna Krishna, Hare Hare/ Hare Rama, Hare Rama, Rama Rama, Hare Hare é o método sublime para revivermos nossa consciência de Krishna.
Como almas espirituais vivas, somos todos originalmente entidades conscientes de Krishna, porém, devido à nossa associação com a matéria desde tempos imemoriais, nossa consciência está agora poluída pela atmosfera material. A atmosfera material, na qual estamos vivendo, é chamada de maya, ou ilusão. Maya significa “aquilo que não é”. E o que é essa ilusão? A ilusão é que todos nós estamos tentando ser os senhores da natureza material, enquanto, na verdade, estamos sob as garras de suas estritas leis. Quando o servo artificialmente tenta imitar o amo todo-poderoso, isto chama-se ilusão. Neste poluído conceito de vida, estamos ficando mais e mais enredados em suas complexidades. Portanto, embora estejamos ocupados numa árdua luta por conquistar a natureza, estamos cada vez mais dependentes dela. Esta luta ilusória contra a natureza material poderá imediatamente acabar ao revivermos nossa consciência de Krishna.
A consciência de Krishna não é um artifício imposto à mente, esta consciência é a energia original da entidade viva. Quando escutamos a vibração transcendental, esta consciência é revivida. E, para esta era, as autoridades recomendam este processo. Por experiência prática também, a pessoa pode perceber que, cantando esse maha-mantra, ou Grande Cântico da Libertação, ela pode de imediato sentir um êxtase transcendental proveniente da camada espiritual. E quando estiver realmente no plano de compreensão espiritual – superando as fases dos sentidos, mente e inteligência –,ela situa-se no plano transcendental. Este canto de Hare Krishna é diretamente decretado da plataforma espiritual, e assim, esta vibração sonora ultrapassa todas as camadas de consciência inferior – a saber sensual, mental e intelectual. Não há necessidade, portanto, de compreender a linguagem do mantra, tampouco há necessidade de especulação mental ou qualquer ajuste intelectual para cantá-lo. Ele surge automaticamente do plano espiritual, e nesse caso, sem nenhuma qualificação prévia, qualquer pessoa pode tomar parte no canto e dançar em êxtase.
Até mesmo uma criança pode tomar parte no canto, ou mesmo um cão pode participar. É claro que para alguém que está muito enredado na vida material, leva um pouco mais de tempo para chegar ao ponto ideal, mas mesmo esse homem materialmente absorto eleva-se à plataforma espiritual muito rapidamente. Quando um devoto puro do Senhor canta o mantra, com amor, o mantra exerce grande efeito sobre os ouvintes, e por isso, deve ser ouvido dos lábios de um devoto puro do Senhor, para que se possam alcançar os efeitos imediatos. Tanto quanto possível, o canto dos lábios de não-devotos deve ser evitado, assim como o leite tocado pelos lábios de uma serpente tem efeitos venenosos.
A palavra Hara é a forma de dirigir-se à energia do Senhor e as palavras Krishna e Rama são formas de se dirigir ao próprio Supremo. Tanto Krishna quanto Rama significam “o prazer supremo eterno”. Hara é a suprema energia de prazer do Senhor, que modificada para Hare no vocativo, ajuda-nos a alcançar o Senhor.
A energia material, chamada de maya, também é uma das multifárias energias do Senhor. E nós, as entidades vivas, também somos uma energia – a energia marginal – do Senhor. As entidades vivas são descritas como superiores à energia material. Quando a energia superior está em contato com a energia inferior, uma situação incompatível surge, mas quando a energia marginal superior está em contato com a energia superior, chamada Hara, a entidade viva se estabelece em sua condição normal e feliz.
Essas três palavras, a saber, HareKrishna e Rama, são as sementes transcendentais do maha-mantra. O canto é uma maneira espiritual de dirigir-se ao Senhor Supremo e Sua energia interna, Hara, pedindo-Lhes que dêem proteção à alma condicionada. Este canto é exatamente como o choro genuíno de uma criança por sua mãe. A mãe Hara auxilia o devoto a alcançar a graça do supremo pai, Hari, ou Krishna, e o Senhor Se revela ao devoto que canta sinceramente.
Nenhum outro método de realização espiritual, portanto, é tão eficaz nesta era quanto o canto do maha-mantra.

Oferecendo alimentos a Deus (Sri Krishna)

Como oferecer o alimento e torná-lo Krishna-prasada (prasadam):

Primeiro você precisa providenciar uma foto de Sri Krsna e de Srila Prabhupada (se não tiver, use o Bhagavad-gitã). FAÇA COM O ALIMENTO QUE DESEJAR (não pode conter, carne, peixe, ovos ou derivados). Enquanto estiver fazendo a preparação, NÃO PROVE, pois você irá oferecê-lo a Krishna e Ele tem de ser o primeiro a provar de seu alimento. Na dúvida, não abuse do sal. Quando o alimento estiver pronto, pegue um prato e um copo, que só deve ser usado para Krishna, coloque um pouco de cada preparação e leve-o até o pequeno altar que você montou com as fotos, ou coloque as oferendas na frente do Bhagavad-gitã e recite os seguintes mantras:

nama om visnu-padaya krsna presthaya bhu-thale
srimate bhaktivedanta swami iti namine

Ofereço minhas respeitosas reverências a Sua Divina Graça A.C. Bhaktivedanta Swami Prabhupada, que é muito querido ao Senhor Krsna, por ter se refugiado em Seus pés de lotús.

namas te saravaste deve gaura vani-pracarine
niversesa sunyavadi pascatya desa tarine

Nossas respeitosas reverências a ti, ó mestre espiritual, servo de Sarasvati Gosvami. Estás bondosamente pregando a mensagem do Senhor Chaitanya e libertando os paises ocidentais, que estão repletos de impersonalismo e niilismo.

namo maha vadanyaya
krsna prema pradaya te
krsnaya krsna caitanya
namne gaura tvise namah

Ó encarnação mais munificente! És o próprio Krsna aparecendo como Sri Krsna Caitanya Mahaprabhu. Assumiste a cor dourada de Srimati Radharani, e estás distrinbuindo á vontade o amor puro por Krsna. Oferecemos nossas respeitosas reverências a Ti.

namo bhamanya devaya
go brahmana hitaya ca
jagad dhitaya krsnaya
govindaya namo namah

Meu Senhor, és o benquerente das vacas e dos brahmanas, e és o benquerente de toda sociedade humana do mundo.

Bhaja Sri Krsna Caitanya Prabhu Nityananda
Sri Adwaita Gadhadara Srinivas Adi Goura Bhaktavrinda

Hare Krishna Hare Krishna Krishna Krishna Hare Hare
Hare Rama Hare Rama Rama Rama Hare Hare

Aguarde alguns minutos e pronto. Você pode voltar os alimentos oferecidos às respectivas panelas, e depois de lavar o prato e o copo de Krishna, pode comer e distribuir esse alimento que irá alimentar seu corpo e sua alma.

Falando em alimentação

A seguir, alguns exemplos de substituição de alimentos (ovos):

Existem outras milhares de receitas que podem ser adaptadas a uma dieta lacto-vegetariana, porém, é preciso saber como escolher e adaptá-las. Leia com cuidado e veja a proporção de farinha usada para cada ovo. Escolha receitas que levem apenas 1 ou 2 ovos e pelo menos 200 gramas (2 xícaras) de farinha.

Num bolo, os ovos tem 2 funções básicas:
1. ligar os ingredientes
2. dar ao bolo uma consistência leve

As seguintes substituições servem apenas para bolos com poucos ovos:

PARA BOLOS COMUNS : 
Substitua cada ovo por:
2 colheres de sopa de leite
1/2 colher de suco de limão
1/2 colher de bicarbonato de sódio

PARA BOLOS DE TABULEIRO:
Substitua cada ovo por:
2 colheres de sopa de leite ou creme de leite
1/4 de colher de chá de fermento em pó
Substitua a manteiga por:
o mesmo peso em óleo de arroz, girassol ou milho

PARA BOLO DE FRUTAS:
Substitua cada ovo por:
1 colher de sopa de farinha de soja
1 colher de chá de araruta
2 colheres de soja de água

PARA EMPANAR:
Uma das dificuldades para os iniciantes na cozinha vegetariana, é a questão de empana antes de fritar. O segredinho é bem simples.
Faça um mingau leve de água com farinha de tapioca. Quando estiver frio, mergulhe o salgadinho ou legume, passe na farinha de rosca e frite.

*ASSAFÉTIDA - É a resina de uma planta que cresce no Afeganistão e no Irã. É usada em quantidade mínima, seu gosto aproxima-se ao da cebola, tem aroma agradável e evita os gases intestinais. Uma vez reduzida a pó, é usada na proporção de um quarto de colher de chá, para uma preparação de dois quilos. Dá aos pratos um sabor forte e particular. É encontrada sob a forma sólida ou em pó em casas de ervas medicinais.

Resina de assafétida

*MASSALA - É uma mistura de cinco iguarias integrais, usadas principalmente para legumes:
2 colheres de sopa de cominho inteiro
2 colheres de sopa de cominho negro inteiro
2 colheres de sopa de grão de mostrada preta
2 colheres de sopa de semente de anis ou erva doce
1 colher de sopa de feno grego inteiro
Outras massalas são compostas de especiarias variais, finalmente moídas em diferentes proporções.

Massala

domingo, 3 de outubro de 2010

Palestra de Srila Prabhupada

Existe alguém melhor para falar sobre o assunto do que o próprio fundador da ISKCON? Este vídeo mostra uma palestra de Prabhupada do ano de 1974, dentro de um seminário franciscano, em Melbourne. Ensinamentos sobre vida, Deus e busca espiritual nos são passados.



sábado, 2 de outubro de 2010

Receita típica: Hálava (doce de Semolina Com Abacaxi)


Ingredientes

- 700ml de leite
- 250g de semolina fina
- 250g de açúcar mascavo
- 200g de manteiga
- 100g de abacaxi ou outra fruta de estação
- 50g de amêndoas picadas
- 100g de coco ralado

Modo de Preparo

Em fogo baixo, misture o leite e o açúcar mascavo até ferver. É importante mexer bem por que o açúcar mascavo não dilui facilmente no leite e pode ser que queime no fundo da panela. Numa outra panela, derreta a manteiga e junte a semolina, as amêndoas e o coco ralado, sem parar de mexer para não grudar. Agora a gente vai adicionar a fruta. Para terminar, é só juntar o leite com açúcar mascavo. Mexa bem para não empelotar. O doce está pronto. Ah, ele deve ser comido quente. Mas antes, um ritual: faça uma oferenda, entoado por mantras para purificar o alimento.
 

Nascimento e Infância de Krishna

Krishna era da família real de Mathura - capital de um conjunto de três clãs: Vrishni, Andhaka e Bhoja - e o oitavo filho da princesa Devaki e o marido Vasudeva, um nobre da corte. No dia do casamento, como é de costume na tradição védica, o primo mais velho, Kamsa, ficou encarregado de conduzir Devaki e o esposo até a nova casa do jovem casal.
O rei Kamsa subiu ao trono após mandar prender o próprio pai, Ugrasena (rei da dinastia Bhoja). Kamsa é tido como um grande demônio, que pertencia à classe dos Kshatriyas (guerreiros), mas que, de algum modo, havia se desviado do Dharma universal.
No caminho que conduzia os noivos até a nova casa, Kamsa escutou uma voz que dizia que o oitavo filho de Devaki iria levá-lo à morte. Imediatamente fez menção de matar Devaki, mas Vasudeva implorou pela vida da esposa, prometendo que cada filho que nascesse, seria levado à presença de Kamsa.
Receoso, mandou prender Vasudeva e a esposa no porão do castelo, sendo vigiados dia e noite por guardas. Cada filho do casal que nascia era morto por Kamsa, que mesmo sabendo que a profecia se cumpriria apenas no oitavo filho, não tinha piedade de nenhum e matava a todos.
Kamsa havia sido alertado por Narada Muni que em breve Vishnu nasceria na família de Vasudeva. Soube também, através deste sábio, que em uma encarnação anterior, Kamsa havia sido um demônio chamado Kalanemi que tinha sido morto por Vishnu.
Conta a tradição védica que Kamsa, temendo que Vishnu nascesse em qualquer uma das famílias do reino, mandou matar todos os meninos com até dois anos de idade, a fim de evitar o cumprimento da profecia.
E foi então que o oitavo filho de Devaki nasceu - Bhagavan Sri Krishna. O local do nascimento é conhecido atualmente como Krishnajanmabhoomi, onde um templo foi erguido em honra. Como a vida corria risco na prisão, foi tirado da prisão e entregue aos pais adotivos Yashoda e Nanda em Gokula.





sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Artigo: Resposta a muitas perguntas

Para melhor entendermos a visão de um Hare Krishna sobre questões como a vida, reencarnação e sofrimento, aqui fica um artigo filosófico do mestre espiritual Hridayananda Dasa Goswami:


Como é que, apesar de existir um Deus todo poderoso e bom, ainda existe sofrimento? Esta pergunta nunca foi respondida filosoficamente no ocidente. Se aceitamos que a alma foi criada agora, juntamente com este corpo, por que Deus dá um corpo feio para alguém e um belo e educado para outro? Por que alguém nasce forte e outro fraco? Por que Ele faz que alguém nasça num país ateu?

Aceitar este fato da reencarnação, da ação do karma, oferece a possibilidade de lidar filosoficamente com estes problemas dos sofrimentos dos homens, apesar de Deus ser todo poderoso e bom. Aceitando que a alma tem outras vidas podemos, então, entender melhor que o sofrimento é devido às nossas atividades prévias. Ninguém reclama quando é castigado justamente. Inclusive existe um certo sentimento de satisfação ao ver o triunfo da lei, da justiça. A filosofia de que a alma é criada e destruída juntamente com o corpo deixa muitas perguntas sem resposta. Porque Deus permite que o mundo sofra?

Mas isto não é um segredo. Estamos sofrendo a reação de nossos próprios pecados. Há um best-seller nos Estados Unidos, escrito por um rabino de Boston, que conta a história de seu filho que sofre de uma doença pela qual uma pessoa envelhece rapidamente. Assim, um jovem de quinze anos morre como um ancião. Esse rabino ficou completamente chocado e não conseguiu manter nem justificar sua fé em Deus. E assim escreveu, em seu livro, que existem duas possibilidades:

"Que Deus seja bom, mas não todo poderoso, e assim, apesar de Sua bondade, o controle do sofrimento e da dor estariam fora de Seu alcance; ou, pelo contrário, que Deus seja todo poderoso e não bom, e, dessa maneira, Ele seria como que indiferente e abandonaria cruelmente Sua criação." E diz que prefere pensar que Deus é bom e não todo poderoso.

Mas isso é apenas o resultado de não entender a reencarnação da alma, de como estamos sofrendo ou desfrutando, de acordo com nossas atividades prévias. Aceitar a reencarnação explica muitas coisas, dá soluções claras, filosóficas, porque propõe a existência de duas coisas, uma alma e um corpo físico, que são bem diferentes em sua natureza; que existe interações entre eles, criando, assim, categorias bem definidas. Por outro lado, não existe, na ciência material, conhecimento que possa contradizer estes fatos.


Hridayananda